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Teste audio… Setembro 5, 2008

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Sobre a avaliação Setembro 24, 2007

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Meus caros,

fechei a avaliação de Técnica de Reportagem. Lamentavelmente, muita gente deixou de entregar as atividades solicitadas. Abaixo, disponibilizo um balanço sobre o que foi entregue e por quem foi entregue. Caso haja qualquer dúvida ou questionamento, é só entrar em contato. Também lamento a confusão desse bimestre. Fui pouco rigoroso com os prazos e “virou festa”. Ser compreensivo, às vezes, faz-nos permissivos. E ser permissivo é algo que não combina com qualidade e profissionalismo. Tem mais um detalhe: ao ser “bonzinho”, a nota final de todos vocês ficou muito abaixo do que teriam capacidade para obter.

Política 01 – Faltaram:
-Bruna
-Dryelly
-Jamile
-Liara
-Luciana dos Anjos
-Luiz Henrique
-Marcos Antonio
-Paulo Sérgio
-Ricardo
-Thaís

Política 02 – Faltaram:
-Ana Daísa
-Bruna Cristina E. Furlan
-Daniela Fernanda da Silva
-Diego Roberto da Rocha
-Dryelli Martina Santos
-Erica Biazotto de Oliveira
-Jamile Melina Santos
-Liara Leonor
-Luciana dos Anjos
-Luciana Montrezol
-Luiz Henrique Oliveira Alves
-Marcos Antonio
-Paulo Sérgio de Araújo
-Ricardo de Freitas Pereira
-Taís Nakashima

Dizer não
-Ana Daísa
-Daniela Fernanda da Silva
-Elis Regina Tortola
-Jamile Melina Santos
-Liara Leonor
-Luciana dos Anjos
-Luiz Carlos de Azevedo
-Luiz Henrique Oliveira Alves
-Marcos Antonio
-Paulo Sérgio de Araújo
-Ricardo de Freitas Pereira
-Vagner José Guedes

Especial – dupla (4 mãos)
-Ana Daísa
-Bruna Cristina E. Furlan
-Daniela Fernanda da Silva
-Erica Biazotto de Oliveira
-Luiz Henrique Oliveira Alves
-Paulo Sérgio de Araújo
-Ricardo de Freitas Pereira

Textos… Agosto 20, 2007

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Avaliação final Julho 4, 2007

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Médicos não devem fazer greve
Para o ministro, estabilidade dos funcionários da Saúde contraria interesses da população

Por RUDOLFO LAGO

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, parece ter um gosto todo especial pela polêmica. Logo depois que tomou posse, ele defendeu a realização de um plebiscito que discutisse a legalização do aborto. Provocou como reação uma passeata na porta do seu Ministério. Mais recentemente, criticou o sambista Zeca Pagodinho, um dos artistas preferidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por fazer propaganda de cerveja. Agora, ele resolveu comprar briga com os médicos e servidores do seu próprio Ministério: Temporão pretende alterar a forma de administração dos hospitais públicos. Sua idéia é criar uma fundação que gerisse esses hospitais com regras do setor privado. Nessa nova lógica, os médicos e demais funcionários perderiam a estabilidade que o serviço público garante. Passariam a ser contratados pela CLT e poderiam ser demitidos a qualquer momento. Para Temporão, é a segurança da estabilidade, associada com a burocracia da administração pública, que torna ineficientes o atendimento e o funcionamento de muitos hospitais do Sistema Único de Saúde. Nessa entrevista a ISTOÉ, o médico sanitarista de 55 anos, nascido em Monção, no norte de Portugal, com 27 anos de dedicação ao setor de saúde, aborda ainda outras questões polêmicas. Volta a brigar com as fábricas de bebidas ao pregar uma intervenção governamental no conteúdo das suas propagandas. Cutuca a indústria farmacêutica ao defender a quebra da patente do medicamento contra a Aids Efavirenz e a falta de investimentos desses laboratórios multinacionais no País. E provoca o próprio governo ao cobrar mais verbas e critica a falta de definição da saúde como uma política de Estado.

ISTOÉ – O presidente Lula disse há algum tempo que a saúde brasileira estava perto da perfeição. O sr. concorda com esse diagnóstico?
José Gomes Temporão – Evidentemente, eu não vou discordar do presidente. Hoje, nós temos um sistema de saúde cuja amplitude não tem paralelo em lugar nenhum do mundo. E o acesso é muito fácil. Mas é claro que há problemas. Especialmente nas grandes regiões metropolitanas, onde a questão da violência, da marginalização, da pobreza e da falta de infra-estrutura se soma à ausência de uma estratégia do Estado de oferecer saúde. Um bom exemplo são os morros do Rio de Janeiro. Nós estamos num conflito bélico, numa guerra declarada. Como é que eu garanto que aquela população tenha acesso aos serviços de saúde? Existem fragilidades no primeiro atendimento de urgência e emergência. Existem fragilidades na questão da atenção básica, da saúde da família. Existem muitas localidades com estrutura precária de equipamentos, de prédios. Tudo isso existe.

ISTOÉ – Como reduzir essas disparidades?
Temporão – Estamos propondo a criação de uma fundação estatal, de direito privado, para substituir o modelo de administração direta dos hospitais. O que fundamentalmente vai mudar com a criação dessa fundação é que os servidores passarão a ser contratados pela CLT, sem estabilidade, com princípios de gerência moderna.

O setor de saúde movimenta cerca de 10% do PIB. Somos o décimo mercado de medicamentos do mundo

ISTOÉ – O sr. acha, então, que servidor na área de saúde não deve ter estabilidade como os demais funcionários públicos?
Temporão – Em serviços como educação, na saúde e assistência social, eu não vejo como se possa justificar a estabilidade. Se você defende uma carreira estável para o servidor de saúde, fica amarrado a um outro conjunto de regras e normas que regem o serviço público. E eles não são compatíveis com o atendimento à população. Eu preciso ter um atendimento eficiente e ágil. Que eu não tenho na administração direta, na qual a estabilidade se dá. Se hoje um equipamento quebra, pode ter certeza que a burocracia o fará ficar quebrado dois meses. Se você tem uma instituição com uma estrutura mais ágil, pode resolver isso num prazo mais curto. Outro exemplo: se eu tenho um diretor de hospital que conseguiu economizar 10% do seu orçamento melhorando a gestão, hoje ele tem de devolver esse dinheiro ao Tesouro. Se eu tivesse outro modelo, eu poderia premiar os funcionários do hospital com um pagamento adicional pelo bom desempenho. Ou poderia reinvestir essa sobra na própria instituição.

ISTOÉ – Há uma discussão no governo, levantada pelo próprio presidente, com relação às greves no serviço público, especialmente nos setores essenciais. O sr. acha que é preciso mais rigor para evitar greves na saúde?
Temporão – Fazer greve na saúde é punir de forma muito violenta as pessoas que estão sofrendo. É claro que os trabalhadores têm direito à organização e à defesa dos seus direitos. Mas eu sou contra greve na saúde. A sociedade tem que ter salvaguardas com relação a isso. Mas acho que o setor médico já entendeu que é um pouco difícil convencer a alguém que está com dor e não será atendido que a sua reivindicação é mais justa.

ISTOÉ – O Brasil gasta pouco com saúde?
Temporão – Gasta pouco. Enquanto a Inglaterra utiliza 70% dos seus gastos totais com saúde, no Brasil esse porcentual é de 45%. Há um subfinanciamento que eu tenho que enfrentar.

ISTOÉ – O sr., então, fica obrigado a pressionar os donos da chave do Orçamento.
Temporão – Sem dúvida, há uma dimensão econômica que tem de ser considerada. A saúde no Brasil nunca foi tratada como uma política de Estado. E ela tem uma importância econômica que precisa ser considerada, independentemente do gasto. O setor de saúde movimenta cerca de 10% do Produto Interno Bruto, gera 7,5 milhões de empregos diretos e indiretos. Somos o décimo mercado de medicamentos do mundo. A participação do Estado nesse setor é muito grande. São 70 mil estabelecimentos. É uma área que inova muito em tecnologia. Que tem muito emprego qualificado. E nunca investimos muito nisso. Quando você olha a balança comercial setorial, o somatório do que a gente exporta com relação ao que a gente importa na indústria médica, no final dos anos 80 era negativa em US$ 600 milhões. Hoje, chega a US$ 6 bilhões/ano. Ou seja: a nossa dependência do Exterior está aumentando, o que aumenta a nossa vulnerabilidade. Nós precisamos criar uma política para alterar isso. Por exemplo: um medicamento que tenha grande impacto do ponto de vista de saúde pública e nos gastos do Ministério. Se houver condições de infra-estrutura, tecnológicas e de conhecimento para produzir no Brasil, para que importar?

Avaliação 2º bimestre Junho 20, 2007

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1) Produzir um texto jornalístico, levando em conta os seguintes princípios:

- atualidade (ser factual);

- notícia para jornal impresso (título é para uma matéria, não para capa de revista);

- ter um lead.

O texto deverá apresentar apenas três parágrafos e título de 40 a 45 caracteres.

2) Quais as características do texto jornalístico?

3) Seu texto responde a essas exigências, respondendo, inclusive, as regras para composição de frases e parágrafos?

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT – AM). Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, depois de longa ausência de algumas semanas, volto a esta tribuna para manifestar o meu desalento com a vida pública deste País.

Gostaria de estar aqui discutindo, como fez o Senador José Jorge, a respeito das riquezas naturais do Brasil, com as quais ele tanto se preocupa, e não como falarei, sobre algo muito pior: a dilapidação do capital ético deste País.

Senador José Jorge, poderíamos não ter um barril de petróleo nem um metro cúbico de gás, mas poderíamos ser uma das potências mundiais em termos de desenvolvimento.

O Japão não tem nada. Não tem petróleo, gás ou riquezas minerais. A Coréia do Sul também não tem nada disso, Senador Antonio Carlos, e nos dá um banho em termos de desenvolvimento não apenas econômico, mas também humano.

O que está faltando mesmo ao Brasil e sempre faltou é uma elite dirigente com compromisso com a coisa pública, capaz de fazer neste País o que precisaria ser feito: investimento em capital humano.

Vejam que País é este. Estamos aqui com seis Senadores em pleno mês de agosto, porque estamos em recesso branco. Por que não se reduz a campanha eleitoral a trinta dias e transfere-se o recesso de julho para setembro? Nós ficaríamos com o Congresso aberto, de Casa cheia, até 31 de agosto. Faríamos trinta dias de campanha em recesso oficial, remunerado.

Estamos aqui no faz-de-conta. Como disse o Ministro Marco Aurélio, este é o País do faz-de-conta. Estamos fingindo que fazemos uma sessão do Senado, estamos em casa sem trabalhar. Estou em Manaus há quase um mês, recebendo, sem fazer nada – para o Congresso Nacional, pelo menos. Como se ter animação em um País como este com um Presidente que, até poucos meses atrás, era sabidamente – como o é – um Presidente conivente com um dos piores escândalos de corrupção que já aconteceu no Brasil, e este Presidente está marchando para ser eleito, talvez, em primeiro turno? É desinformação da população? Não, não é. Se fizermos uma enquete em qualquer lugar deste País, todos concordarão, ou a grande maioria, que o Presidente sabia de tudo. Então, votam nele sabendo que ele sabia. A crise ética não é só da classe política, não, parece que ela atinge grande parte da sociedade brasileira. Ele vai voltar porque o povo quer que ele volte. Democracia é isso. Curvo-me à vontade popular, mas inconformado. Esta será uma das eleições mais decepcionantes da minha vida. É a declaração pública, solene, histórica do povo brasileiro de que desvios éticos por parte de governantes não têm mais importância. Isso vem até da classe dos intelectuais, dos artistas. Que episódio deplorável aquele que aconteceu no Rio de Janeiro semana passada! Artistas, numa manifestação de solidariedade ao Presidente, com declarações cínicas, desavergonhadas, Senador Antonio Carlos Magalhães! Um compositor dizer que “política é isso mesmo, fez o que deveria fazer”, o outro dizer que “política é meter a mão na ‘m’”! Um artista, em qualquer país do mundo, é a consciência crítica de uma nação. Aqui é essa, é isso que é a classe artística brasileira, pelo menos uma grande parte dela, é o povo conivente com isso.

O Sr. Antonio Carlos Magalhães (PFL – BA) – E pagos pela Petrobras.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT – AM) – E pior, pior ainda: os artistas estão fazendo isso em interesse próprio, porque recebem de empresas públicas contratos milionários – isso é a putrefação moral deste País -, e o povo vai reconduzir o Presidente porque “política é isso mesmo”.

Tenho quatro anos de Senado. Não me candidatarei em 2010, não quero mais viver a vida pública. Vou cumprir o mandato que o povo do Amazonas me deu, não vou silenciar. Ele pode ser eleito com 99,9%. Eu estarei aí na tribuna dizendo que ele deveria ter sido mesmo destituído porque o que ele fez é muito grave. É muito grave. Curvo-me à vontade popular, mas não sem o sentimento de profunda indignação. A classe política, nem se fala, essa já apodreceu há muito tempo mesmo. Este Congresso que está aqui, desculpem-me a franqueza, é o pior de que já participei. É a pior legislatura da qual já participei, Senador Antonio Carlos Magalhães. Nunca vi um Congresso tão medíocre. Claro, com uma minoria ilustre, respeitável, a quem cumprimento. Mas uma maioria, infelizmente, tão medíocre, com nível intelectual e moral tão baixo, eu nunca vi. O que se pode esperar disso aí? Não sei. Eu não vou mais perder o meu tempo. Vou continuar protestando sempre, cumprindo o meu dever. Não teria justificativa dizer que não vou fazer mais nada. Vou cumprir rigorosamente o meu dever neste Senado até o último dia de mandato, mas para cá não quero mais voltar, não!

Um País que tem um Congresso deste, que tem uma classe política dessa, que tem um povo… Senador Antonio Carlos Magalhães, dizem que político não deve falar mal do povo. Eu falo, eu falo. Parte da população compactua com isso. É lamentável! E que sabe. Não é por desinformação, não. E que não é só o povão, não. É parte da elite, inclusive intelectual. Compactuam com isso é porque são iguais, se não piores. Vou continuar nessa vida pública? Para que, Senador Antonio Carlos Magalhães? Eu louvo V. Exª, que é um pouco mais velho do que eu e vai continuar ainda. Mas, para mim, chega! Vou continuar pelejando pelos jornais e por todos os meios possíveis, mas, como ator na vida política e na vida pública deste País, depois de 2010, não quero mais! Elejam quem vocês quiserem! Podem chamar até o Fernandinho Beira-Mar e fazê-lo Presidente da República – ele não vai com o meu voto, mas, se quiserem, façam-no.

O meu desalento é profundo. Deixo isso registrado nos Anais do Senado Federal. Infelizmente, eu gostaria de estar fazendo outro tipo de pronunciamento, mas falo o que penso, perdendo ou não votos – pouco me importa. Aliás, eu não quero mais votos mesmo, pois estou encerrando a minha vida pública daqui a quatro anos, profundamente desencantado com ela.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

Discurso de Suplicy Junho 12, 2007

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Sr. Presidente, Srs. Senadores, eu gostaria de fazer aqui uma reflexão sobre a violência que por vezes tem caracterizado a vida das grandes metrópoles brasileiras e relacioná-la também com a matéria que será objeto de decisão do Plenário do Senado. Eu me refiro à diminuição da idade penal de 18 para 16 anos.

Conforme tenho feito, na reunião da Comissão de Constituição e Justiça, que por 12 a 10 votou para que haja essa diminuição, com todo respeito aos Senadores que têm manifestado sua opinião de que deveria baixar a idade penal, eu me manifestei a favor de manter 18 anos como a idade penal.

Ontem a Folha de S.Paulo publicou um artigo, que eu considero muito bem escrito, da professora Alba Zaluar, que eu gostaria de ler e comentar.

Violência versus compaixão

Em 1968, na Inglaterra dos Beatles e dos sindicatos fortes, uma linda menina de olhos azuis – Mary Bell – foi julgada como adulto quando tinha 11 anos de idade. Ela havia assassinado, sem nenhum motivo, dois meninos de 3 e 4 anos, provavelmente com outra amiga. Mary foi condenada, depois de uma série de reportagens e investigações apressadas em que a sua imagem foi pouco a pouco associada ao demônio. Ela ficou internada até 1980 em várias instituições, todas com o objetivo de recuperar crianças e adolescentes que ali cumprem pena, mas das quais saiu sem conseguir admitir o mal que havia feito. Em 1995 foi procurada por uma escritora interessada em entender por que as crianças matam. Foi nas longas conversas com essa mulher, durante as quais pôde reconstituir o seu passado, inclusive o descaso e a série de abusos sexuais sofridos por ela nas mãos de sua própria mãe com seus namorados, que Mary pôde finalmente, um dia, reconhecer ser a assassina e acrescentar: “O que fiz não tem desculpa”. Ela havia recuperado sua consciência moral e os sentimentos da vergonha, da culpa e da compaixão. Não foi apenas a disciplina da instituição, a horta das verduras, o contato com animais, a oficina mecânica ou as aulas que lhe permitiram atingir esse ponto. Foi algo muito mais profundo.

A diminuição da idade na responsabilidade criminal de 18 para 16 anos poderia diminuir os efeitos da manipulação perversa do Estatuto da Criança e do Adolescente por impedir que jovens nessa faixa de idade sejam usados para garantir a impunidade de maiores. Mas, enquanto as medidas sócio-educativas forem mera ficção na letra da lei, enquanto não houver atendimento médico e psicológico a adolescentes tão precocemente comprometidos com a crueldade e a indiferença ao próximo, tal mudança de nada adiantará. Se o sistema de Justiça no Brasil não for capaz de estancar as absurdas taxas de impunidade nos homicídios, se o sistema de punição específica para menores homicidas não tiver meios de lhes devolver a consciência moral malformada ou desmantelada ao longo de suas abusadas vidas, continuaremos a ver os mesmos jovens repetirem tais fatos sem remorso. Falta-lhes empatia, falta-lhes a capacidade de avaliar o sofrimento que causam no outro, falta-lhes a fala que permite colocar-se no lugar do outro, ou seja, compaixão. Enquanto isso não acontecer, não resta senão a alternativa da prisão para que outras Lianas não sejam imoladas nem fique apenas o olhar doloroso de seu pai a dizer: “Foi a minha filha, mas poderia ter sido a sua”.

Essa é uma reflexão importante. Conforme disse na ocasião de meu voto na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, acredito que muito melhor será universalizarmos para valer a boa qualidade do ensino para todas as crianças e jovens. Inclusive é importante que o Governo do Presidente Lula e o Ministro da Educação, Fernando Haddad, tenham anunciado essas medidas do Plano de Desenvolvimento da Educação, que são exatamente nessa direção de prover boas oportunidades de educação para todos os brasileiros e brasileiras, sobretudo para as crianças e os jovens e mesmo para os adultos que não tiveram boas oportunidades de educação quando crianças.

Considero igualmente importante que possamos assegurar, o quanto antes, neste País, a toda e qualquer pessoa, o direito de receber uma renda, como um direito à cidadania. Hoje, o Ministério do Desenvolvimento Social está anunciando que cerca de 330 mil famílias que estavam inscritas no Programa Bolsa- Família terão o seu benefício retirado, porque, em princípio, não estariam na faixa de rendimento até R$120,00 per capita por mês, conforme diz a legislação.

São mais de 11 milhões de famílias que estão inscritas no programa, praticamente todas aquelas que deveriam ter esse direito por terem renda per capita menor do que R$120,00.

Todavia, há que se considerar que sempre vai haver problema de mensuração, de constatação de quanto as pessoas ganham, qual é a renda que, efetivamente, as famílias recebem, qual é a que declaram, em que medida estão declarando tudo o que recebem no mercado formal, ou no mercado informal, e assim por diante.

E daí a enorme vantagem que haverá quando chegar o dia em que houver uma renda básica universal e incondicional para toda e qualquer pessoa, na medida do possível, suficiente para atender suas necessidades vitais.

Na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, contei que, certo dia, em agosto de 2003, fiz a exposição para menores, entre 14 e 20 anos, que estavam na Unidade de Atendimento Inicial da Febem no Brás, e disse a eles que, muito provavelmente, se já existisse a renda básica de cidadania, não estariam ali, porque não teriam cometido os delitos que os fizeram ir presos.

E, para ilustrar isso, declamei, então, O homem na estrada, de Racionais MC, composto por Mano Brown.

Pois bem, de pronto, verifiquei que praticamente todos ali, mais de 60%, sabiam de cor a letra que para se cantar é preciso mais de 8 minutos. E percebi que estavam de acordo. Pediram-me que, na semana seguinte, eu voltasse lá com o próprio Mano Brown, e assim o fiz. E, quando estivemos com Mano Brown, novamente conversamos com eles por cerca de uma hora, período durante o qual pediram-lhe que cantasse seis músicas. Eles, novamente com o Mano Brown, cantaram e acompanharam o ritmo da música, e pude perceber o quanto as músicas de Mano Brown, as músicas de Os Racionais, representam um fenômeno cultural moderno do Brasil de hoje, simplesmente extraordinário.

Não foi a toa que, de sábado para domingo, durante a madrugada, por volta das quatro e meia, iniciou-se o show de Os Racionais MCs, o mais esperado da Virada Cultural, e que levou à Praça da Sé um público simplesmente notável, comparável ao dos grandes comícios ali havidos, do PT e de outros partidos, e o memorável comício primeiro das Diretas Já, tão repleto e lotado estava. Pude, a convite de Eliana, esposa de Mano Brown, acompanhar o show do palco, e eis que, durante o show, houve uma série de incidentes que acabaram resultando em tumulto generalizado, infelizmente.

Espero que isso não mais aconteça. Tive a impressão de que houve da parte da autoridade policial, em alguns momentos, uma reação demasiadamente forte.

Ainda há pouco, liguei para o Comandante Geral da PM, Coronel Roberto Antônio Diniz, propondo-lhe fazer uma visita, que foi aceita. Sugeriu, inclusive, que seja feita em companhia do Secretário de Segurança, para dialogarmos a respeito de como poderemos prevenir em shows que venham a ocorrer, tal como tantas vezes testemunhei, incidentes como aqueles que, infelizmente, acabaram interrompendo uma manifestação cultural importante, que diz tanto aos jovens, porque as letras dos Racionais MCs são muito o reflexo do que acontece no cotidiano dos jovens de nossas periferias.

Muito obrigado.

Atividade 06.06.2007 Junho 6, 2007

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”Toda greve tem seus limites”
O deputado critica a ocupação da USP, o movimento no Ibama, a invasão de Tucuruí e modera o discurso sobre liberação da maconha

Por HUGO STUDART E RUDOLFO LAGO

Da clandestinidade da guerrilha urbana na época do regime militar à política do corpo, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) construiu ao longo de 40 anos uma biografia de transgressor. Na política, já foi petista e é fundador do Partido Verde. Com quatro mandatos de deputado federal pelo PV, é um notório militante das causas ambientalistas, defensor do casamento gay e da legalização do consumo da maconha – só que, agora, com nuances. Aos 66 anos, duas filhas adultas, Gabeira continua atento às transgressões. Neste momento, observa as que estão em curso no País, como a ocupação da reitoria da USP pelos estudantes, a greve dos servidores do Ibama e a invasão da usina de Tucuruí. Mas o ex-guerrilheiro, quem diria, virou um crítico das transgressões exageradas. Mais: prega mais firmeza das autoridades.

ISTOÉ – Como o sr. avalia o movimento dos estudantes na USP? Fernando
Gabeira – A forma de luta mais adequada seria a político-jurídica. O professor Dalmo Dallari diz que os decretos são inconstitucionais. Logo, haveria a possibilidade de uma ação jurídica. Toda greve tem seus limites éticos, e o bom é que essa questão já está sendo discutida dentro da própria USP. Os estudantes de odontologia, por exemplo, decidiram não fazer greve porque acham que ela significaria um prejuízo à saúde alheia. Esse é o tipo do dilema que nós temos visto em outras greves.

ISTOÉ – Que dilema?
Gabeira – Um exemplo é a greve do Ibama. A paralisação dificulta a negociação daqueles que querem ajudar, enfraquece o setor ambiental no conjunto. De certa forma, você abandona a questão ambiental para fazer greve. Dá a impressão de que a sua luta é mais importante que o próprio meio ambiente. Na USP, da mesma forma, existe a mesma discussão. De um lado, quem acha que tem de parar porque a razão é justa, e outros que acham que a paralisação provoca um prejuízo maior à sociedade.

ISTOÉ – Na USP, a discussão é sobre a autonomia universitária, uma velha bandeira do movimento estudantil.
Gabeira – Um grupo diz: “Estão quebrando a autonomia.” O outro grupo diz: “Não, não estamos quebrando a autonomia, mas a autonomia se dará dentro de circunstâncias.” A margem para negociação, imagino, é grande. O conceito de autonomia diz respeito à liberdade que a universidade deve ter de usar o seu dinheiro. Mas isso não significa deixar de dar satisfações à sociedade. Tem que dar satisfações, sim. Então o problema maior que se coloca na USP é o seguinte: o movimento passa a acontecer à margem da lei. A Justiça já determinou que a invasão da reitoria é ilegal. A questão agora é como lidar com isso.

ISTOÉ – E como se deve lidar com isso?
Gabeira – O Estado democrático dá dois caminhos: o uso da força ou a negociação. A simples negociação talvez não resolva. Mas o uso da força também não resolverá. A alternativa seria um processo de negociação no qual, simultaneamente, se retiram as condições de sobrevivência da invasão. Tira a luz, a água, vai tornando a situação insustentável para os estudantes. E aumentando a negociação.

ISTOÉ – Existe um conflito entre a sociedade e os interesses corporativos de quem comanda movimentos como os da USP e do Ibama?
Gabeira – A autonomia universitária significa para a universidade liberdade de atuação. Mas autonomia para quê? Isso não está claro. Essa autonomia não pode se circunscrever aos interesses universitários. Qual vai ser o uso do orçamento autônomo? Se você comparar a luta estudantil atual com as do passado, a de hoje parece ser muito mais uma defesade interesses particulares dos estudantes. A antiga luta estudantil estava articulada a uma luta política maior, a mudar o sistema político.

ISTOÉ – Os movimentos políticos perderam as grandes bandeiras e viraram meramente corporativos?
Gabeira – Não totalmente. Entre os estudantes da USP, deve haver aqueles que ainda têm essas preocupações mais amplas. Mas são tão minoritários que ficam escondidos. Na verdade, tanto a greve do Ibama como os movimentos dos servidores públicos são movimentos setoriais. Como um setor que quer se definir, ainda que provocando prejuízos ao meio ambiente ou a quem quer estudar. No caso do Ibama, quando você arranha essa tese, o argumento é que se está causando um prejuízo momentâneo para ter um ganho maior no futuro. Mas, mesmo assim, isso é contraditório. Existem formas de lutas que significam, simultaneamente, uma vontade de preservar seus interesses e também de envolver a sociedade. No caso da USP, entrar na Justiça, fazer valer os direitos sem prejudicar as atividades da universidade. A estratégia política tanto dos estudantes da USP quanto dos servidores do Ibama me parece fora do tempo.

ISTOÉ – O que o sr. sugere?
Gabeira – Uma estratégia política mais condizente com o atual curso da democracia no Brasil. Que possibilitaria atrair mais forças a seu favor. A mídia está aberta, a Justiça respondendo mais rapidamente. Assim, há como fazer a coisa crescer na sociedade.

ISTOÉ – O sr. pegou em armas, seqüestrou um embaixador. Por que a transgressão era válida naquela época e hoje não é mais?
Gabeira – Naquela época, tudo o que se fazia era vinculado a uma visão de transformação global. E achava-se que a estrutura legal impedia essa transformação, porque era uma estrutura legal burguesa criada exatamente para evitar essas transformações. Agora, no Estado Democrático de Direito, não é essa a relação que você tem com a lei. Se você não tem mais a expectativa de romper com o Estado Democrático de Direito, você tem outros caminhos para recorrer. Nossas opções naquela época implicavam prisão, tortura, perda de vida… Hoje são apenas estudantes lutando para que a sua concepção de universidade seja vitoriosa.

ISTOÉ – O movimento estudantil não está mais vinculado a uma discussão política mais ampla?
Gabeira – No passado, havia uma visão global de trocar o capitalismo pelo socialismo. Hoje, vivermos uma situação em que o capitalismo é uma realidade. As alternativas postas em prática pela história não deram certo. Então, hoje nada mais resta senão aceitar o capitalismo e tentar transformá-lo, não derrubá-lo. Hoje é possível utilizar outras formas de luta, que não rompem com os requisitos legais, com uma capacidade de êxito maior. Um contra-exemplo drástico é a invasão de Tucuruí.

ISTOÉ – Mas o sr. não defende o movimento das populações atingidas pelas barragens?
Gabeira – Defendo. Já estive muitas vezes com eles. Mas aquela invasão foi um equívoco muito grande. Um equívoco porque Tucuruí representa uma central de eletricidade que atende muita gente. Um equívoco porque a ação foi feita com violência, usando bombas caseiras. Um equívoco porque apertaram botões que eles não sabiam para que serviam. Podiam ter provocado um desastre muito grande. O próprio líder do movimento quando sai, diz: “Agora, eu vou derrubar uma torre.” Em qualquer país do mundo, ele seria chamado a uma delegacia ou a um juiz e se explicaria a ele o tamanho do transtorno que ele poderia causar. Você pode tirar a energia de um hospital no meio de cirurgias graves. Provocar acidentes. Colocar doentes que dependem de aparelhos em risco de vida.

ISTOÉ – Faltou autoridade, então?
Gabeira – Em vários casos tem faltado uma clareza. E isso é explicável. Esses movimentos apoiaram a eleição de Lula. E eles meio que se sentem à vontade para tentar fazer as coisas andarem mais rápido. O governo Salvador Allende, no Chile, viveu isso o tempo todo. Agora, quando se dirige o País com uma perspectiva de estabilidade e não de transformação, então tem de tomar atitudes que deixem isso claro. Tem que impor os limites legais. Responsabilizar as pessoas.

ISTOÉ – É o que acontece também no Movimento dos Sem Terra?
Gabeira – Sim. É mais uma vez um movimento tentando pressionar o País para andar mais rápido. Mas, andar mais rápido para onde? Até que ponto a idéia que se tinha de reforma agrária se mantém? O governo já viu que a reforma agrária não se limita a dar um pedaço de terra. O Lula entende que aí precisa haver um ajuste. Mas, ao mesmo tempo, ele evita um confronto. O problema é que, quando você evita o confronto, talvez o processo posterior seja mais grave. Vai adiando e criando as bases, depois, para um novo confronto. No caso de Tucuruí, o governo agiu certo ao mandar as Forças Armadas ocuparem a usina. Porque é um bem ligado à segurança nacional. Mas, por outro lado, não houve uma condenação política clara quanto à ocupação.

ISTOÉ – No caso da USP, como o governo estadual pode negociar?
Gabeira – O governador Serra é um exlíder estudantil. Creio que ele tem medo de um desgaste na sua biografia se endurecer com os estudantes. Ao mesmo tempo, ele sabe que forças políticas adversárias estão integradas ao movimento dos estudantes. Isso gera uma relativa cautela. Mas essa cautela tem que ter limites.

ISTOÉ – Se fosse estudante hoje, o sr. estaria na reitoria ou na sala de aula?
Gabeira – A gente percebe que existe uma divisão entre os cursos de humanidades e os cursos técnicos. Se eu estivesse num curso técnico, talvez estivesse trabalhando. Mas, mesmo que estivesse no movimento, eu teria uma discordância. Eu sou mais pela luta política dentro dos limites legais. Possivelmente, estaria junto, mas discordando do caminho.

ISTOÉ – O governo criou regras para estabelecer limites para a programação das TVs. Essa programação deveria ter limites?
Gabeira – O único limite aceitável é o do controle remoto. Muda de canal, desliga a tevê.

ISTOÉ – Chegou a hora da união civil entre pessoas do mesmo sexo?
Gabeira – Se você entender o casamento como deve ser, sem conotação religiosa, mas como uma união entre duas pessoas, mais do que chegou a hora. É como a abolição da escravatura. Será que, de novo, nós só vamos fazer quando já tiver acontecido em todo o mundo? Nossa sociedade já está madura para isso.

ISTOÉ – E, no caso da legalização das drogas, a sociedade também está madura?
Gabeira – Nesse caso, não. Não aconteceu a liberação das drogas onde a polícia, a autoridade, também não tenha evoluído. Na Holanda, por exemplo, é liberado nos coffe-shops, mas com câmeras ligadas. Na Inglaterra, quem pediu para liberar em certas áreas foi a própria polícia. Não é um conceito de liberou geral. Mas de estabelecer um controle mais sutil. O Estado tem de se fortalecer para garantir esse direito. A verdade é que o nível de controle em uma sociedade em que a droga é liberada acaba sendo um nível de controle maior do que os que existem em lugares onde é proibido.

ISTOÉ – O sr. retrocedeu em relação ao que defendia antes sobre isso?
Gabeira – Quando comecei a examinar isso de perto, vi que a liberação só se dava em sociedades mais avançadas, e não em sociedades corrompidas como a nossa.

ISTOÉ – O sr. falou em corporativismos. No Congresso o debate dos escândalos se dá também mais no nível da defesa uns dos outros.
Gabeira – A solidariedade no Congresso se dá mais em torno dos denunciados do que com relação aos flagelados que não tiveram as suas casas concluídas por conta de obras de habitação superfaturadas. Existe uma visão de “nós, os eleitos” e a sociedade. Muitas vezes, a sociedade ganha o nome de “mídia”. E, aí, gera uma hostilidade contra aqueles que procuram responder à sociedade através da mídia. Interpretam como uma vontade de aparecer. A relação com a mídia tem de ser um trabalho cotidiano.

Formas de desenvolvimento do parágrafo Junho 5, 2007

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Após a frase inicial (tópico frasal), que deverá ser a síntese do parágrafo em uma idéia-chave, passa-se à exposição dos pormenores que constituirão o corpo do parágrafo.

Selecionado o assunto, estabelecidos seus limites e o objetivo, bem como formulado o tópico frasal, é hora de desenvolver o parágrafo.

As possibilidades de ordenação do parágrafo são: exploração de aspectos espaciais e temporais, enumeração de pormenores, apresentação de analogia, ou contraste, citação de exemplos, apresentação de causas e conseqüências.

EXPLORAÇÃO DE ASPECTOS ESPACIAIS – Ao redigir, o redator pode valer-se da exposição de informações relativas ao lugar (espaço) em que ocorreram os fatos.

Exemplo: Já a fronteira sul de seus empreendimentos ficava em Rio Grande, quase na divisa com o Uruguai, onde o comércio local girava em torno da agência de seu banco, com filias em Pelotas e Porto Alegre. Um pouco mais ao norte, em São Paulo, Mauá iniciava seu maior empreendimento nas províncias brasileiras. Para toca-lo, teve que montar três agências bancárias, uma em São Paulo, outra em Santos, a terceira em Campinas…

EXPLORAÇÃO DE ASPECTOS TEMPORAIS – Nesse caso, informa-se o leitor sobre quando ocorreram os fatos. A indicação de aspectos temporais, assim como espaciais, obedece a uma lógica de ordenação.

Exemplo: No século passado… Muitos anos atrás… Em fevereiro…

Há situações em que o desenvolvimento de um parágrafo por inidicação de apsectos temporais torna a circunstância mais importante que propriamente o fato, ou causa maior impacto, ou dá maior relevância ao fato. Esta técnica é indicada para ocasiões em que se quer ressaltar quando os fatos aconteceram.

EXPLORAÇÃO DE PORMENORES OU FATOS – Segundo esse estilo de construir um parágrafo, o redator tem como objetivo enumerar características, relacionar aspectos importantes.

A enumeração de pormenores pode valer-se de expressões como: a primeira, a segunda, a terceira; ou: no primeiro caso, no segundo…; ou: na fase inicial, na fase intermediária, na fase posterior…

A apresentação das idéias pode ser ou não ordenada segundo uma ordem de importância. A ordem depende do que o redator pretende enfatizar.

MEDIANTE CONTRASTE DE IDÉIAS – Na ordenação do parágrafo mediante a exposição que estabelecem contrastes entre si, um jornalista pode valer-se de comparações (para sobressair o contraste), idéias paralelas, idéias que apresentam diferenças entre si, idéias que se apresentam opostas entre si.

POR IDÉIAS ANÁLOGAS, COMPARAÇÃO – Para organização das idéias, o redator vale-se de expressões que indicam semelhança.

Por exemplo: à semelhança; da mesma forma; do mesmo modo; de igual modo…

Vamos ver na prática…
O melhor seria não generalizar, porque cada qual tem o seu jeito próprio de viver e de trabalhar. Mas, tomando por base a vida daqueles de quem me tornei amigo e confidente, eu diria que ser correspondente no estrangeiro é cometer adultérios múltiplos. É trair a mulher ou o homem amando…

POR RAZÕES, CAUSAS, CONSEQÜÊNCIAS E EFEITOS – As ações humanas às vezes são baseadas em razões, enquanto os fatos se apóiam em causas. Assim, destes últimos advêm efeitos e daquelas, conseqüências. Além disso, exige-se do redator atenção para que não confusa causas como efeito, nem razões conseqüências.

A exposição de um pensamento por meio de causas e efeitos ou razões e conseqüências é um processo de estruturação muito freqüente nos parágrafos dissertativos em que prevalece a argumentação. A preocupação do redator é convencer, persuadir.

As expressões que indicam causa num parágrafo são: (a) substantivos: causa, motivo, razão, explicação, fundamento; (b) verbos: produzir, originar, causar, gerar, motivar; (c) locuções adverbiais: por isso, em virtude disso, devido a isso, em vista disso.

As expressões que transmitem a idéia de efeito ou conseqüência entre um período e outro são: em conseqüência, em decorrência de, como resultado, ser o efeito de, conseqüentemente,conclusivamente, porque, pois, portanto, graças a…

POR EXPLICITAÇÃO DE IDÉIAS – O redator tem como objetivo esclarecer o leitor mediante a definição dos termos ou expressões usadas. Portanto, tem em vista esclarecer idéias, justificar raciocínios. Em geral, a explicitação é um recurso argumentativo, assim como a enumeração e a exemplificação.

A ordenação por explicitação das idéias pode ocorrer de três formas: por definição, por analogia ou por exemplificação.

a) As definições incluem o verbo ser ou podem valer-se de outras expressões, como: isto é, ou seja etc.
b) A analogia tem como principal objetivo esclarecer por meio de semelhanças entre algo do mundo abstrato e fatos, objetos ou seres do mundo sensível. São expressões comuns: da mesma forma, do mesmo modo, igualmente, tal como, do mesmo jeito.
c) Já a exemplificação se vale de fatos ilustrativos. O exemplo serve para elucidar, para transportar o conceito do mundo abstrato para uma realidade palpável.

A ordenação por explicitação justifica-se sempre que se quer esclarecer um conceito ou uma idéia, ou uma alternativa. Exemplo: hipotermia.

A hipotermia ocorre quando a temperatura do corpo fica inferior a 35,5 graus. Ela pode ser discreta, moderada ou grave – quando a temperatura chega a menos de 32 graus. O choque térmico é um dos tipos mais comuns de manifestação da hipotermia, e se caracteriza pela mudança brusca de um ambiente quente para outro frio…



Conclusão do parágrafo:
A conclusão de um parágrafo ou se constrói com um resumo das idéias apresentadas no desenvolvimento do parágrafo ou com a apresentação das conseqüências das idéias expostas (no Jornalismo, geralmente, só as conseqüências).

Conclusão do texto: Deve-se evitar:

- Se não mais fiz, foi porque faltou tempo e espaço.
- O trabalho exigiria mais fôlego, mais profundidade.
- Poderíamos ainda falar disso, disso e daquilo, mas isso é matéria para outro trabalho.
- Ainda poderíamos tratar disso…
- Outro problema que merece aprofundado estudo seria…

Boas alternativas:

- O estágio atual do desenvolvimento permite concluir que…
- Os estudiosos do assunto afirmam ser possível…

ORGANIZAÇÃO DO TEXTO
Assim como uma frase não é uma seqüência de palavras, um texto não é apenas uma sucessão de frases. Um texto bem organizado não admite a ausência de regras nem a liberdade total em relação aos limites.

Nos estudos do texto, dois conceitos são preocupação moderna: a coerência e a coesão.

A coerência está ligada à compreensão de um texto em uma situação de comunicação e à capacidade que o receptor do texto tem para interpretá-lo. Ela é global, isto é, há possibilidade de estabelecer alguma forma de unidade. Ela é também uma continuidade de sentidos que se percebe no texto como resultado da conexão de conceitos entre os elementos de um texto.

A coerência é resultado de uma soma dois importantes fatores: a) conhecimento lingüístico, b) conhecimento de mundo (ou do fato).

As partes do texto revelam coerência se não apresentam contradições. Se as divisões não concorrem para o estabelecimento do todo, faltará consistência ao texto.

O ajuntamento de partes desconexas prejudica a legibilidade de um texto. O leitor sente-se perdido no emaranhado de pormenores, sem saber aonde o redator desejou chegar.

Por isso, a necessidade de domínio das conjunções subordinativas e de todos os conectivos que servem para a transição de idéias. É desejável, porém, que a transição se faça com idéias e não simplesmente com conjunções. Acrescente-se que também concorre para a coerência do texto a utilização sóbria de sinais de pontuação.

A coesão configura-se como elos de ligação entre os elementos superficiais do texto, a forma como se relacionam, como os elementos combinam uns com os outros. Elos que proporcionam transição suaves, adequadas. Essas transições são idéias ou conjunções que permitem o nexo de um pensamento com o outro. A falta de transição entre uma idéia e outra pode impedir que as frases se transformem em um texto; seriam então fragmentos sem nexos, um amontoado de frases.

Observações sobre atividade 05/06 Maio 28, 2007

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A proposta é que produzam um texto jornalístico levando em conta todos os aspectos que esse estilo exige – usar linguagem simples, acessível; redigir na ordem direta; preferir verbos na voz ativa; evitar a adjetivação; usar palavras fáceis; redigir de forma leve, concisa, coerente e agradável; utilizar frases curtas; escrever o mínimo possível, com o máximo de informação etc. Obviamente, quero que levem em consideração os aspectos estudos em sala sobre a composição das frases e parágrafos.

O texto tem peso 2,0 na avaliação bimestral e terá apenas três notas – atende plenamente o que foi proposto (2,0); atende parcialmente (1,0); ou não atende o solicitado (0,5 – pelo esforço em tentar produzir alguma coisa).

Produzida a notícia, o aluno deve escolher um parágrafo do seu texto e fazer a seguinte análise:

Frases – como estão construídas, quantos períodos há em cada frase; se tratam-se de frases verbais ou nominais; os sujeitos são simples ou compostos; explícitos ou ocultos; indeterminados ou inexistentes?

Parágrafo – justifique se os parágrafos (todos eles) do seu texto dão conta da idéia base (que constitui o tópico frasal). Relacione quais diferentes idéias estão expressas em sua notícia.

Últimas observações – o texto deverá ter pelo menos dois mil caracteres (menos que isso, não atenderá o solicitado); deverá apresentar título com verbo em voz ativa e mínimo de 18 caracteres, máximo de 20; por fim, a notícia não é sobre a entrevista de Tarso Genro à Isto É – a idéia é que a entrevista seja base da sua matéria jornalística. Prazo de entrega: 05/06 (com cópia digital para o email ronaldonezo@yahoo.com.br).

Entrevista para atividade – 05/06 Maio 28, 2007

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“O governador não controla a PF “
Ministro da Justiça diz que a Operação Navalha não está orientada contra nenhum partido e que mais empreiteiras serão investigadas

Por HUGO STUDART

Desde que ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, há quase três décadas, o advogado gaúcho Tarso Genro era mais conhecido pelas suas idéias políticas criativas do que pelo seu senso prático. Ex-prefeito de Porto Alegre, chegou a se apresentar como pré-candidato à Presidência da República, mas perdeu a indicação para o líder maior do petismo, Luiz Inácio Lula da Silva. Quando estourou o escândalo do mensalão, Genro, então ministro da Educação, foi escalado para presidir o PT, mas acabou abatido na guerra interna com o grupo do ex-ministro José Dirceu.

No início do ano, Tarso Genro substituiu o prestigiado Márcio Thomaz Bastos no Ministério da Justiça. Deu luz verde para a Polícia Federal desencadear duas operações longamente preparadas, que estão atingindo alicerces da República: a Hurricane, contra o Judiciário, e a Navalha, que pega políticos de todos os partidos. Pré-candidato à Presidência da República na sucessão de Lula, Tarso Genro está agradando aos eleitores e sendo criticado pelos aliados políticos do governo no Congresso. Novas operações contra figurões virão por aí, avisa ele em entrevista exclusiva. E a navalha vai atingir a própria carne.

ISTOÉ – ATÉ ONDE ESSA OPERAÇÃO NAVALHA VAI RASGAR OS PODEROSOS DA REPÚBLICA?
Tarso Genro – Vai até onde for necessário. A investigação não tem uma orientação determinada pelo governo, e sim pelo Estado, pela lei. Garanto que a Polícia Federal não tem nenhuma orientação política negativa, de evitar investigar tal setor ou tal comunidade política. Mesmo porque essas investigações não são feitas contra os partidos. São feitas em cima de fatos concretos. Por exemplo, essa construtora Gautama.

A apuração começou a partir de uma denúncia recebida pela PF de um fato ocorrido na Bahia. Os fatos foram apresentados ao Judiciário, que permitiu iniciar as escutas telefônicas e as demais investigações. Portanto, a PF vai até os fronts que for necessário investigar. Além disso, as apurações da PF são controladas pela Procuradoria da República e pelo Poder Judiciário.

ISTOÉ – MAS A VONTADE POLÍTICA DE INVESTIGAR CHEGA A PONTO DE PASSAR A NAVALHA NA PRÓPRIA CARNE?
Genro – Se você considera o Estado a própria carne, sim. Se você considera o governo, está provado que sim, que já estamos passando a navalha na própria carne. Se você considera os partidos em geral, a resposta também é sim.

ISTOÉ – E SE ACABAR ATINGINDO OS PARTIDOS ALIADOS, COMO O PMDB, OU CACIQUES POLÍTICOS ESSENCIAIS NA ESTRUTURA DE SUSTENTAÇÃO DO GOVERNO NO CONGRESSO, COMO O SENADOR RENAN CALHEIROS? A ORDEM DO GOVERNO À POLÍCIA FEDERAL É PARAR OU AVANÇAR?
Genro – Mencionar algum partido ou personalidade já seria destacá-los de maneira indevida no curso das investigações. Não posso fazer isso. Mas garanto que não há nenhuma destinação política específica sobre as investigações. Investigamos crimes comuns, mas nenhum político ou partido será preservado.

ISTOÉ – A PF ACUSA O EX-MINISTRO DE MINAS E ENERGIA SILAS RONDEAU DE RECEBER PROPINA E ELE JURA INOCÊNCIA. A PF ERROU OU ELE ESTÁ MENTINDO?
Genro – A PF tem o poder de fazer indiciamentos, que é uma cadeia de fatos que, em conjunto, formam um determinado tipo penal. No caso do ministro Silas, embora não haja nenhuma prova conclusiva, segundo a PF há um conjunto de fatos que indicam a possibilidade de que uma conduta ilícita tenha ocorrido. Essa é a opinião da PF, de maneira independente. Esses indícios agora foram entregues ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, que vai examiná- los, e depois determinar o que fazer. Portanto, há sim uma forte suspeição da PF de que Silas Rondeau tenha cometido delitos. Isto não constituiu um prejulgamento. Ele decidiu se afastar do cargo para se defender e não causar constrangimento ao governo.

ISTOÉ – A GAUTAMA É CASO PONTUAL OU FAZ PARTE DE UM ESQUEMA MAIOR DAS RELAÇÕES ENTRE POLÍTICOS E EMPRESÁRIOS?
Genro – Não posso informar detalhes para não prejudicar outras investigações em curso. Mas há dezenas de outras empreiteiras sendo investigadas. Há investigações sobre obras federais e estaduais e vários setores. Inclusive empreiteiras que trabalham para a Infraero.

ISTOÉ – ESSA OPERAÇÃO NAVALHA ACABOU ATINGINDO O CERNE DA ESTRUTURA POLÍTICA BRASILEIRA, QUE É O FINANCIAMENTO DAS CAMPANHAS POR EMPREITEIRAS QUE FAZEM OBRAS PÚBLICAS, MUITAS VEZES SUPERFATURADAS. E AGORA, DÁ PARA IR MAIS FUNDO SEM DESESTABILIZAR A BASE POLÍTICA DO GOVERNO?
Genro – Essas ações não desestabilizam o sistema político. Mesmo porque só vão atingir um número específico de parlamentares que cometeram ilegalidades. Ao contrário, fortalecem o sistema democrático. Alertam para determinados tipos de comportamento de quem comete ilegalidades. Essas ações da PF, que num primeiro momento têm um certo reflexo de instabilidade, são profundamente estabilizadoras das instituições. Mas os maus costumes da política podem continuar.

ISTOÉ – COMO ASSIM?
Genro – Olha, temos dois grupos de fatos relevantes que emergem dessa operação. Primeiro, temos aí os usos e costumes da política brasileira, que dizem respeito a uma dimensão oligárquica e fisiológica da política. Estou falando da relação direta da liberação de uma emenda do orçamento para uma clientela política. Mas isso não só é permitido pela lei como é feito de uma maneira totalmente transparente pelos parlamentares e pelo governo. Isso não é crime e portanto não é objeto de investigação da PF.

Objeto de investigação é quando isso viola a lei, seja uma violação de edital, seja obtenção de propina, seja a liberação de recursos de maneira ilegal. É só esse segundo grupo de fatos que está sendo investigado. Do ponto de vista moral, o clientelismo é tão condenável quanto o segundo. Mas precisa ficar claro que, quando a PF investiga, não está fazendo uma revisão dos costumes políticos brasileiros, mas sim buscando delitos.

ISTOÉ – E O GOVERNO LULA VAI CONTINUAR COM A VELHA PRÁTICA DO “É DANDO QUE SE RECEBE”, O APOIO POLÍTICO EM TROCA DA LIBERAÇÃO DE VERBAS PARA OBRAS?
Genro – O problema do clientelismo e dos maus costumes só pode ser corrigido por uma profunda reforma política, incluindo aí o processo de confecção e de execução do Orçamento. Olha, a Operação Navalha, involuntariamente, talvez ajude a fazer uma reforma política. Afinal, levantou o debate sobre a estrutura dos partidos, a relação dos partidos com o orçamento.

ISTOÉ – COMO COIBIR O SUPERFATURAMENTO DAS OBRAS PÚBLICAS, JÁ QUE SÃO OS EMPREITEIROS OS PRINCIPAIS FINANCIADORES DAS CAMPANHAS POLÍTICAS?
Genro – Por isso sou a favor do financiamento público de campanha. Rigoroso, cientificamente controlado pelos tribunais eleitorais, e com a proibição de qualquer tipo de contribuição individual. Isso fortaleceria os partidos, diminuiria a corrupção e acabaria com a relação perversa dos políticos com os empresários. Espero que essa operação e outras investigações da PF sirvam de inspiração para acelerar a discussão da reforma política.

ISTOÉ – A ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL TEM CRITICADO AS PRISÕES ESPALHAFATOSAS DA PF E ATÉ O CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Genro – Se existem alguns excessos em relação a isso, têm que ser corrigidos. Inclusive algum nível de ostentação. Neste momento estou negociando com a OAB para que façam algumas críticas sobre as operações da PF para que possamos fazer as correções pertinentes. A OAB faz três tipos de críticas. Primeiro, no tempo de demora no acesso aos acusados. Segundo, a forma com que as prisões são feitas, com algemas inclusive.

Terceiro, a maneira com que os presos são conduzidos, que os coloca numa situação de humilhação. Acho que essa preocupação é muito bem-vinda, pois agora o governo federal pode orientar os governos estaduais a comprar novas viaturas policiais mais adequadas para esse tipo de recolhimento. Mas é bom ressaltar que essas críticas foram feitas à medida que pessoas da alta hierarquia social foram expostas. É uma boa preocupação, mas tem que refletir em benefício de todo o povo, o padrão de recolhimento dos presos deve ser igual para todos.

ISTOÉ – ENTÃO OS ADVOGADOS DOS FIGURÕES PRESSIONAM O GOVERNO PARA MANTER AQUELE DITADO DE QUE, NO BRASIL, SÓ NEGRO E POBRE DEVEM IR PARA O CAMBURÃO?
Genro – Acho que todos têm que ser recolhidos pela polícia com o mesmo rigor e com a mesma dignidade. Pobres ou ricos têm que ter o tratamento igual.

Na prática, que se tenha um local de aprisionamento que permita que as pessoas sejam conduzidas sentadas. Algemadas, mas sentadas. Não precisam ser jogadas numa espécie de porta-malas deitadas.

Como nós, da Secretaria Nacional de Segurança Pública, temos condições de orientar tecnicamente a natureza das compras dos governos estaduais, vamos exigir que as viaturas tenham banco no porta- malas. É o mínimo, as pessoas têm que sentar quando são recolhidas.

ISTOÉ – E AS ALGEMAS, VÃO ACABAR PARA ATENDER ÀS QUEIXAS DOS ADVOGADOS DO ZUDEIDO VERAS E DO EX-GOVERNADOR REINALDO TAVARES?
Genro – Não! O problema das algemas é uma questão muito séria, embora às vezes seja tratada com uma certa irreverência.

Até porque as algemas constituem um símbolo. Um ato de detenção tem que produzir duas garantias de segurança: do prisioneiro e do policial. O que a PF alega para usar algemas em todo mundo?

Que é imprevisível a reação de uma pessoa que está sendo aprisionada, mesmo que essa pessoa seja equilibrada. Às vezes a reação das pessoas cultas pode ser até mais chocante. Um desembargador que é algemado num avião, não o é porque vai atacar o guarda, mas porque pode pular num ato de desespero. Nos EUA, recentemente, um juiz determinou que se retirassem as algemas de um prisioneiro e ele conseguiu pegar o revólver de uma policial e matou algumas pessoas. Portanto, o ideal é que fossem algemadas somente as pessoas violentas, mas é possível exigir do agente que ele corra esse risco? Não conheço nada mais seguro para todos do que algemas.

ISTOÉ – O SR. ACHA QUE HOUVE EXAGERO EM PRISÕES COMO A DE PAULO MALUF?
Genro – Acho que a pessoa que vai voluntariamente se apresentar na delegacia para ser presa, como foi o caso de Maluf, não precisa ser algemada, pois já está dando uma demonstração de equilíbrio, que vai receber a custódia e que vai se defender. Não precisava ser algemado. O caso do filho dele, o Flávio, que deu carona em seu helicóptero para os policiais e ao pousar foi preso, é outro exemplo de uma inversão total de valores. Não é adequado que os policiais sejam carregados pelo custodiado. Tem que haver um respeito recíproco entre policiais e prisioneiros.

ISTOÉ – NO PRIMEIRO GOVERNO, PETISTAS QUEIXAVAM MUITO DE QUE A PF GANHARA AUTONOMIA DEMAIS. O SR. JÁ TEM O CONTROLE SOBRE ELA?
Genro – Ninguém hoje tem controle sobre a PF. A PF faz parte da estrutura do Ministério da Justiça, mas um governo não pode ter o controle de uma polícia; o controle tem que ser do Estado. Um governo não pode orientar as ações da polícia segundo sua visão política. Não pode dizer até onde vai uma investigação e onde pára. Um governo tem que verificar é se os procedimentos efetuados pela polícia são legais.

ISTOÉ – O PT VAI DEBATER NOVOS RUMOS EM SEU CONGRESSO DE AGOSTO. O SR. AINDA PREGA A IDÉIA DA REFUNDAÇÃO DO PARTIDO?
Genro – Não falo mais publicamente sobre o assunto para preservar minha função de Estado. Mas internamente continuo defendendo as posições que sempre defendi. Mas interpretaram mal essa história da refundação, como se fosse um desprezo pelos fundadores. Eu proponho um acordo por uma renovação profunda.

ISTOÉ – O SR. FEZ UM ACORDO DE PAZ COM O EX-MINISTRO JOSÉ DIRCEU?
Genro – Não estamos em paz, pois nunca estivemos em guerra. Tenho divergências políticas com o Zé Dirceu de muitos anos. Não só a respeito de métodos de fazer política como métodos de governar o partido. Não estou dizendo que meus métodos sejam bons e os dele ruins, apenas que são diferentes, e que resultam em duas opções, em dois projetos partidários, que nós disputamos entre nós. O partido vai ter que optar entre os métodos do Dirceu e as propostas de renovação profunda que estamos apresentando.